E então… eu a vi

Determinado a superar toda carga de decepção e encarar a vida racionalmente sem interferência do coração, resolvi me trancar. Tranquei-me dentro de mim mesmo, escondi as feridas, maquiei as emoções e surgi como o cara que não liga pra nada. A princípio eu gostava dessa fama. Eu não tinha compromissos, podia fazer o que bem entendesse, afinal, era o que todos esperavam de mim: ser o canalha, o irresponsável, aquele que só quer diversão.

Com o tempo tudo cansa, inclusive a diversão exacerbada. Eu já estava cansado de tanta balada, resenha, bebida e – como dizem – pegação. Eu já tinha uma vasta lista de meninas que me detestavam, e de amigos que só me chamavam para bagunça. Foi então que comecei a me detestar. Eu tinha tudo e era vazio. Vazio de espírito, vazio de conteúdo, vazio de carinho e vazio de mim mesmo. Eu estava perdido.

Como uma despedida da minha época de “azar tudo e todos”, fui a festa de quem costumava ser meu melhor amigo. Como de costume, era tudo “droga, sexo e rock’ n roll”, eu simplesmente não estava a fim daquilo. Sentei-me em uma mesinha no canto, peguei um copo cheio de alguma coisa que eu não sabia definir. Ouvindo a batida da música e viajando no som do baixo – que sempre me encantou – no meio de tantas luzes e pessoas em transe, eu me perguntei o que estava fazendo ali.

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Foi então que… eu a vi! Eu não sei como, ou por quê, mas precisava ir até ela. Foi então que me encontrei novamente. Naqueles olhos escuros e descrentes de qualquer magia humana, eu me vi. Vi minha alma, e ela viu a minha. E foi assim que começou a parte mais bela da minha vida. A parte em que eu fui feliz…

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