Não é falsidade, é educação!

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Parece que quando conhecemos uma pessoa, nossa mente faz uma leitura dela e imediatamente criamos simpatia ou rejeição. Isso sempre acontece comigo, eu conheço uma pessoa e gosto, ou fico com um pé atrás. Só que eu não consigo ser grossa e dizer declaradamente “Olha, não fui com sua cara, fica longe!” Confesso que tem umas pessoas que mereciam ouvir esse tipo de coisa, mas a paciência faz parte de mim e eu aprendi desde pequena que temos que suportar os outros e respeitar. Então quando bate aquela antipatia, eu só não fico atrás da pessoa, mas trato cordialmente como qualquer outro.

Quando eu era pequena, eu era realmente irritante. Eu detestava todas crianças, porque era terrível ter que dividir minhas coisas, não gostava da gritaria, não gostava das manias dos outros, e eu dizia isso em voz alta “Sai pra lá, não fica perto de mim” e minha mãe aos poucos me mostrou que isso era muito feio, que eu podia conviver com todas as pessoas sem ser grossa. Assim eu fui educada, e isso faz parte da minha personalidade agora. Na 8ª série uma menina fez fofoca com meu nome, simplesmente porque ela gostava de um amigo meu e ficou enciumada porque ele pediu para fazer uma prova comigo. Eu fiquei sabendo dos boatos e deixei pra lá, tinha a consciência limpa. Um dia na sala ela sorriu pra mim, eu sorri de volta e percebi como ela ficou constrangida. Um tempo depois ela me pediu desculpas simplesmente porque eu não era como ela julgava.

E eu nunca entendi essas minhas reações como falsidade, mas fui surpreendida. Tem um rapaz na minha sala que impõe a presença dele. Ele faz questão de discordar de tudo que falamos e questiona, na hora do intervalo senta perto, e eu levo isso numa boa. Dou “bom dia”, respondo tudo que me pergunta e um dia desses segurei o elevador pra ele. Foi meio constrangedor ver a porta fechando e ter só nós dois lá dentro, eu continuei encarando o marcador de andares quando de repente ele virou pra mim e simplesmente falou “Carol, você é muito falsa, fico bobo, você me odeia e me trata bem…” confesso que fiquei surpresa na hora, então respondi “não sou falsa, sou educada.” Ele começou a rir e saiu do elevador repetindo “ai ai, ai ai”. Eu fiquei bem brava, será que não percebem a diferença entre ser falso e ser educado?

Talvez meu pensamento esteja errado, mas na minha cabeça faz tanto sentido: uma pessoa pode não ser legal para mim, mas para os outros ela é. Não é só porque não me identifico que vou declarar uma guerra e fazer careta toda vez que fulano se aproximar de mim. Não sou mais criança, tenho maturidade para agir simpaticamente com os outros. Ser educado para mim, é tratar todos da forma que eu gostaria de ser tratada. Eu fico muito incomodada quando alguém não vai com minha cara e me trata muito mal, não pode pelo menos tentar me suportar?

Falsa eu seria se fosse no perfil do facebook dele e comentasse as fotos dele “ai amigo, que lindo”. Pelo contrário, nem adicionei ele. Acho falsidade quando vão na foto de alguém e comentam “tá lindo, que perfeito!” quando estão pensando “que coisa feia, marmota”. É mais falsidade se fazer de amigo quando no fundo não é, do que dar bom dia para alguém que não é seu amigo, não?

 

2 comentários sobre “Não é falsidade, é educação!

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