Falta de esperança na humanidade

Quando eu cheguei na época de fazer vestibular, eu não tinha certeza no que deveria fazer. Afinal, são tantas opções de curso que te interessam, não é mesmo? Eu queria fazer direito, administração, medicina veterinária, psicologia, pedagogia, ciências da computação, história, fora os cursos que eu considerei simplesmente por assistir um filme, ou porque escutei alguém do cursinho preparatório dizendo que faria. A verdade é que aos 17 anos eu não estava decidida sobre o restante da minha vida. Na verdade eu acho que essa pressão de “profissão para o resto da vida” influi nas nossas escolhas, mas não é esse o foco hoje.

Depois de cursar quase dois anos de administração, eu resolvi tentar algo novo. Não é desmerecendo o curso, mas não era minha área. Dinheiro, fórmulas, taxas, bancos… nada disso ou relacionado a isso, entra na minha cabeça. Então eu percebi que sou da área das humanas. Quando tomei a decisão de escolher um curso dentro desse âmbito, foi muito difícil. Minhas duas opções eram: pedagogia e psicologia. Porém nenhuma das duas eram bem vistas pela minha família. Pedagogia era inaceitável, os argumentos? Profissão que ganha mal, os professores sofrem muito nas escolas, não são valorizados, ninguém se importa com essa classe trabalhadora. Psicologia? Coisa de doido. Era isso que eu escutava.

Depois de dois anos de tratamento com psicólogos e psiquiatras, eu percebi que não tinha nada de doido. O que acontece é que as pessoas cada dia que passam tem mais problemas e mais dificuldades de enxergar uma solução para eles. São seres humanos que precisam de ajuda, não de serem taxados “doidos”. Na verdade, todas as pessoas mereciam fazer terapia de vez em quando. É ótimo poder colocar todos seus problemas para fora, afinal, quando foi a última vez que você conseguiu desabafar sem receber um olhar de julgamento, ou pode concluir seus pensamentos sem ouvir “isso é coisa da sua cabeça”?

Porém eu queria ir além, eu queria ajudar a mudar o mundo a partir do comecinho mesmo, na infância. Então escolhi pedagogia. Eu achava que ia ser um curso tão fácil, afinal, professores não são os mais valorizados do Brasil. Eu estava enganada. Preciso estudar tanto quanto qualquer aluno. Meu namorado mesmo diz: “como você consegue? Não entendo nada que você faz.” Isso porque ele é formado em ciências da computação, um dos cursos que eu considerava mais difíceis. É tudo relativo, o que para mim é fácil, para o outro não o é. Logo, o curso só é fácil, quando você um professor dentro da sala de aula e não imagina o processo que ele passou para adquirir formação para estar numa sala de aula.

Então de onde vem esse preconceito? Na falta de esperança da humanidade. Aqui no Brasil, as pessoas que escolhem ser educadores são tidas como sofredoras, classe baixa, sem inteligência suficiente para outras profissões… Ok, vamos imaginar um mundo sem professores? De onde virão os engenheiros? Cientistas? Até os produtores de arte passam pelo ensino… Cinema, literatura, pintores. Todo mundo um dia teve um professor que lhe ensinasse como pegar no lápis. Não faz sentido esse preconceito.

As crianças antigamente eram vistas como o futuro do nosso mundo, hoje quem quer ensiná-las os valores de nossa sociedade são loucos? Por que? Eu reconheço que sim, existem profissões com maiores salários e eu gostaria de além de fazer o que gosto, ser reconhecida por isso. Mas em momento algum eu entendo minha escolha como loucura. Eu amo o que eu faço. Eu ainda acredito que o mundo pode ser um ótimo lugar para se viver, eu vejo no ser humano uma capacidade enorme de poder ser feliz, de poder mudar o rumo da história que vem sido construída. Se os educadores não tiverem esperança nas crianças, onde vamos parar?

Infelizmente nossa geração é muito pessimista. As pessoas acabam julgando sem entender do assunto, vivem no senso comum de que “engenheiros e médicos que são importantes”, reconheço que também precisamos deles. Mas precisamos de todos juntos. Antes de qualquer profissão, precisamos de ser humanos, pensar no futuro da nossa nação, renovar nossos conceitos, amar ao próximo. Não é disso que se trata ser humano? Amar, manter a esperança… ver uma luz no fim do túnel. Eu ainda acredito que exista esperança.

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